21 de novembro de 2014
pós último texto.
minhas últimas linhas foram de súplica. de desespero. de um pedido imediato de salvação. minhas últimas linhas não foram ouvidas. e por terem sido ignoradas, as ignorei também. percebi que por mais infeliz que esteja, não vai ser alimentando tristezas que a luz do fim do túnel aparecerá. então, resolvi virar a mesa e sentar do lado oposto ao meu antigo lugar. a cadeira já estava ficando desconfortável e, de certa forma, sentia minhas nádegas dormentes. a verdade é que eu estive tempo demais sentada esperando a companhia que não veio. e ali, sozinha. naquela mesa da vida. onde a vela já havia derretido mais da metade em espera eu percebi. quem sou eu para uma espera sem hora marcada? dobrei o guardanapo que usei para secar minhas lágrimas de vergonha. levantei-me. dei aquela breve alisada na saia escolhida a dedo e caminhei. peguei a rua mais longa. o trajeto mais demorado. enquanto caminhava de volta a mim pensei. repensei. na verdade a cada passo que dei pra frente, voltei dois. precisava ter certeza de que aquele era meu último movimento em busca de entendimento. demorei mais que algumas horas para por a chave na porta, girar, abrir e vislumbrar que eu tinha voltado para o meu lar. aquele lugar que era demasiadamente iluminado e que, até então, me cegava por isso. eu insistia em ver escuridão. mas havia luz. muita luz. foi aí que percebi que, até ali, havia vivido em mim de olhos fechados. a verdade é que enxergava o que queria. e não queria ver nada. até agora. até entrar novamente ali. mudar minha percepção sobre o estar ali. senti uma ponta de felicidade quando vi que as coisas estavam no mesmo lugar. um pouco empoeiradas, é claro, mas estavam. tudo milimetricamente organizado da forma como sempre tive orgulho de deixar. abri a janela para ventilar. não há mal que uma brisa fresca não acalme. tratei de por um sorriso no rosto e comemorar. dei uma volta dentro de mim. foi quando te encontrei, esperança. você sentado, sorrindo, me encarando. olhando de canto. querendo me conhecer. curiosa. cheia de perguntas. queria saber onde estive. com quem andei. onde me escondi. naquela noite tu se apresentou. disse que me procuraria mais vezes. e assim o fez. hoje, sentamos no sofá de casa, assistimos nossos filmes. e eu ainda te espero com o jantar pronto. esperança, seja bem vinda. você me faz sorrir com as piadas sem graça. e me ganha com teu jeito moleque. e até das suas esquisitices eu passei a gostar. esperança, eu estava procurando por ti. continue por aqui.
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