tem sempre alguém que espera alguma coisa de um sábado a noite. eu não.
não espero mais nada, inclusive. nem de sábados, nem domingos. menos, ainda, feriados.
por mais uma noite eu me troco. me alimento de uma porcaria qualquer. arrumo algo que precisa ser arrumado. passo um pano no quarto para juntar os fios de cabelo perdidos e deito.
na tv nada me surpreende nem preenche. na vizinhança o silêncio. ali fora a chuva cai. aqui dentro sou eu.
que me jogo sobre os lençóis usados. sobre o colchão cansado.
sobre a cama fico a pensar em tantos problemas que tenho pra resolver e me lembro que amanhã já é domingo. e depois já é segunda. e que, quando menos se espera, já é final de semana novamente. e nada de novo aconteceu.
seria triste ser sozinha, dividir a cama com o vazio e sem uma bebida forte. seria triste se não fosse rotina.
seria triste estar gripada, sem remédio ou alguém que aqueça uma sopa e me entregasse-a com um beijo na testa e um desejo de melhoras. seria triste se não fosse comum eu adoecer com frequência.
é. tive que aprender a viver sozinha. a me cuidar sozinha. a entender que cozinhar pra mim mesmo é um saco. tive que aprender que a felicidade não me visita tanto quanto eu gostaria e que nos finais de semana ela se ocupa em estar presente em outras casas.
com o tempo tive que aprender a sorrir de tudo isso. achar graça das minhas próprias piadas e a acreditar que um miojo pode ser uma boa opção para um bom jantar romântico comigo mesma.
tive que aprender que beber sozinha é bom só porque sobra mais para mim.
que a cama vazia é legal porque sobra mais espaço para me espalhar.
tive que aprender que guardar um chocolate na gaveta é como guardar ouro no colchão.
é. meus caros. com o tempo tive que aprender que ser independente é não precisar de ninguém. nem pra ser feliz.
e hoje, ainda vivo me enganando que é bom ser assim. eu e deus.
triste é isso.
acreditar.