4 de julho de 2011

Mudar é preciso.

Desde que me conheço por gente (pensante), o que pode fazer muito tempo, lembro da minha necessidade por mudanças. Sempre gostei de arrumar as coisas conforme meu estado de espírito. Desde muito nova gosta mais de montar a casa da Barbie, com todos os seus cômodos, do que de fato, brincar com ela por eles depois. Sei lá, mas na hora de começar (de fato) a brincadeira, parecia, para mim, que ela já havia terminado. O bom mesmo, naquela época era a hora que eu podia inventar os móveis da pequena casa e organiza-los conforme o ambiente merecia e conforme minhas amigas, da época, não incomodassem. Não que eu fosse manipulável, mas preferia não criar caso. O que, alguns anos depois, também mudou.

Mudaram também as amigas. Que bom! Mudaram as brincadeiras. Mudou-se a idade. Mudou o ambiente em que eu crescia. Mudou a casa, a escola, o turno e até a ocupação. Mas o que de fato, não mudou, durante todas essas mudanças, era minha necessidades de mudar. Não a vida. Não as pessoas. Mas as minhas coisas. No sentido material de serem.

Trocava de roupas com as amigas. Mudava as calças jeans da Levi's que minha tia me presenteava, e que eu, teimava em corta-las e enchê-las de adereços. Mudava meu estilo. Trocava de mochila com as colegas. De estojo. De canetas.

Mas o que mais mudou na minha vida, foram meus quartos. Coitada de minha mãe, que não sabia mais como esconder os riscos do assoalho do apartamento que alugamos. Eu trocava tudo de lugar. As roupas do guarda-roupa. O guarda-roupa. A escrivaninha. A cama, principalmente. E em cada uma dessas mudanças, mudavam-se a disposição dos quadros, posteres e fotos na parede. Coisas que também mudavam com frequência.

Quando sai de casa e fui morar só, estava como o diabo gostava. Lembro que quando me mudei pro 402 mudei meu quarto umas 18 vezes. Até, mudar de quarto. Passei pro da frente. E junto, mudei a visão da janela. Coisa boa foi poder se trocar sem se preocupar com a antiga janela que não tinha cortina.

Depois mudei de AP. Fui morar sozinha. E meu quarto, naquela época, era quarto, sala, cozinha e lavanderia. Meu Deus. Quantas mudanças mais aquele 204 presenciou. Morando sozinha, sem internet, e quase abandonada, quando batia deprê, eram os móveis que sofriam. A cada nova mudança... um novo ambiente. Parecia que eu sempre morava em lugares diferentes. Na verdade, parece que já morei em bem mais lugares que na verdade morei.

Depois me mudei novamente, ainda na faculdade. Fui para uma casa. Com uma sacada enorme. Com um ambiente agradável. Lá eu não podia mudar muito as coisas. Meu computador precisava ficar sempre no mesmo lugar senão o fio da então internet, que finalmente conquistei, não alcançava. Sofri com isso. Achava que aquele canto era perfeito para a minha cama. Ainda continuo achando e me arrependendo de não ter feito uma extensão naquele fio. Mas já era...

Dai vim pra cá. Não-Me-Toque. Acho que essas deveriam ser as palavras que meus móveis desejavam me falar. Coitados. Não sei como ainda não despencaram. Claro que, de lá pra cá, algumas coisas foram substituídas. Mudanças, né? Mas eu continuo mudando tudo de lugar. E pelo pequeno tamanho de meu quarto, nem sei como eu consigo encabeçar tantas mudanças possíveis. Mas eu consigo. Criatividade, na verdade, nunca me faltou.

Minhas companheiras de casa já sabem. Se tem alguma coisa se arrastando a noite, devem ser os móveis da Cissa. Se algo na casa muda do dia pra noite, foi a Cissa. Sem dúvida. Mas que culpa eu tenho de ser tão apegada as mudanças? Quem gosta, afinal, de estar sempre no mesmo ambiente, com a mesma cara pálida que suplica por uma variação? Se você sim, parabéns! Mas não venha me ensinar. Eu ainda prefiro meus dias de radicalizar e fazer do inusitado o mais novo companheiro.

Rezo hoje, ainda, para que meu guarda-roupas não despenque, para que minha cama não quebre e para que meu colchão aguente mais uns meses de pindaíba. Porque quando der, mudo ele também!

1 de julho de 2011

feliz aniversário atrasado.

"Te desejo uma fé enorme.
Em qualquer coisa, não importa o quê.
Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso.
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.
Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
As coisas vão dar certo.
Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma.
Certo, muitas ilusões dançaram.
Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas.
Que seja doce. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Que seja bom o que vier, pra você."

21 de junho de 2011

Quem...

Quem tem
Não ostenta
Quem faz
Não divulga
Quem ama
Não trai
Quem confia
Não julga
Quem luta
Não foge
Quem merece
Não implora
Quem quer
Não especula
Quem cuida
Não cura
Quem vive
Acredita no poder do AGORA

20 de junho de 2011

O que?

O que nos faz amar tanto uma pessoa? Não pode ser carência. Carência não é falta de amor, é falta de atenção. E atenção pode ser encontrada em qualquer posto de saúde, onde o médico te atende e pergunta o que tu tens e como te sentes.
O que nos faz amar tanto outra pessoa? Será a companhia? Não. Não é. A companhia pode ser encontrada em qualquer centro de auto-ajuda, onde se reúnem para discutir os mesmos problemas e dizem ser viciados nas mesmas coisas. Coisas de gosto mesmo.
O que nos faz amar mesmo uma pessoa não é a perfeição dela. Perfeição não gera amor. Gera ódio. Afinal, odiamos todos que podem ser, ou aparentam ser, melhores que a gente.
O que nos faz amar mesmo, do fundo do coração, uma pessoa, não são suas melhores qualidades. Mas sim seus piores defeitos. Não to falando de uma boca sem dente, nem de corpo sem banho. Falo de afinidades. Porque existem sim afinidades nos defeitos. E a maioria delas são aquelas que temos e que, inexplicavelmente, encontramos naquele ser.
Ah, tão amado ser. Que nos fazem enxergar no outro de uma forma tão linda nossos próprios defeitos. E como nossos defeitos são doces na face do outro.
Amor mesmo, amor de verdade, amor que nos faz enlouquecer sem notícias, suspirar em pensamento e acompanhar em ligações é aquele que mostra em si os piores defeitos do mundo mas, da mesma forma, os mais simples e fáceis de perdoar.
O que eu mais amo no Marcelo, e nunca terei vergonha de afirmar, é que ele possui todos os meus defeitos. É ciumento, é reclamão, é exigente. Acima de tudo, é louco por mim. Não que isso seja um defeito, claro que não, mas a partir do momento em que nos declaramos loucos por alguém ficamos vulneráveis demais a esse sentimento. O medo de perder. De ser enganado. O confiar desconfiando. Tudo que, misturado, faz parte de uma grande ância de viver tudo que se quer e achar que não há tempo suficiente para tal.
Somos tão parecidos que as vezes me vejo discutindo comigo mesma, e quando ele parece não mais conseguir ser tão parecido comigo, vem e pede desculpa. Solta as rédeas e faz com que tudo reinicie. Ele tem o dom de conseguir engolir coisas que eu ainda não aprendi. Mas há tempo. Muito tempo. Porque desejo sim estar do lado dele por diversos dias. Dias intermináveis. Que não há como contar. Não há o tal número infinito que sonhávamos chegar ao soletrar número por número quando crianças.
Desejo e amor são coisas que aprendi do lado dele. Pois às vezes só se ama. Às vezes só se deseja. Mas quando os dois vivem juntos, dividindo a mesma caminha de solteiro e o mesmo edredom pequeno, parecem se pertencer como se jamais haviam estado separados.
Amor de verdade não é perfeito. Não é companhia e nem cura carência. Amor de verdade é cheio de defeitos milimetricamente espalhados. É aquele que te faz se sentir sozinha e abandonada uma hora após ter dado aquele tchau que doeu no peito. É o ter que dormir sozinha no frio e ver que a caminha, aquela pequena, está gigante. Amor de verdade te deixa carente mesmo acompanhada. Te deixa querendo sempre mais. Ouvir um eu te amo a mais. Um eu te quero a mais. Sentir a voz no ouvido dizendo: “fica mais um pouco”, “não vai trabalhar hoje” ou “vamos matar o banho e jantar na cama”...
Um “eu te amo” vale muito mais que acordar com café da manhã na cama. Vale um banquete inteiro o dia todo. Um eu te amo não trata nada, porque jamais te deixará doente. Te deixa radiante. Te deixa completa. Faz-te feliz.
Amor, obrigada por isso tudo que me faz sentir, viver, e acima de tudo, por no papel!

31 de maio de 2011

O que eu tenho... eu não quero!

O que eu quero, não tenho!


Quantos dias de nossos dias ficamos pensando e imaginando ter coisas que não temos.
Quantos dias de nossa vidinha, muitas vezes tida como vidinha aos nossos olhos, ficamos sonhando com A SUPER VIDA PERFEITA.
Acho que todo mundo um dia já se sentiu assim, um bichinho fora do ninho.
Um ser não pertencente ao mundo em que existe. No amor, muitos reclamam gostar de quem não gosta dele, ou repudiar quem se diz apaixonado. Não sei se é assim.
Tomo como pretexto a escrever esse texto outra ocasião. A ocasião de querer estar acima do que se está. Na vida profissional, por exemplo, sempre queremos estar por cima. ganhar altos salários. Fazer o que se gosta. Como se gosta. Quando se gosta. Queremos ter o melhor emprego. O melhor chefe. As vezes querermos até ser o chefe. Não o melhor, mas o que manda.
Incrível como não nos sentimos bem em, certos ambientes, que julgamos errados. Não compatíveis com as funções que, de véras, poderiamos exercer. Cre que te julguem dispensável. Substituível. Mesmo sem no fundo ser. Somente por achar que a aquele lugar, tu não pertences. Tu não é o conforto. Somente peça de decoração. Quase inerte. É, se você não está bem onde está, se acha tudo de pior que possa existir ali. Mas mesmo assim, te deseja algo maior.
E basta passar, ali na tua frente, uma oportunidade melhor, que pronto. Se foi o foco. Mesmo sendo só oportunidade. Uma sondagem. Como uma pena que se mexe em cima de ti, te fazendo cócegas e obrigando a rir. Em momento inapropriado.
Enfim... nada pior na vida que não ter foco. Que não querer ter foco. Que estar num lugar que não combina com teu perfil, que não faz parte das tuas coisas. Que se fosse pra escolher, ficaria por último. Espero, assim, ou esperamos (enfim) que no final, tudo de certo. Que um dia achemos o cenário perfeito para despejar nossa mobília. Que não tenhamos penas das paredes e as furemos. Que a enchamos de enfeites, cores. Nossos retratos. Porque, no final, acredito sim, que todo mundo tem seu lugar por merecimento. Então, se ele existe, é só questão de sorte e momento. A sorte de estar no lugar certo, na hora certa, no momento certo. É, precisa acertar várias coisas antes que alguém vá lá e ache tua vaga num classificado e a ocupe assim como tu ocupou àquela que não combinava com nada do teu armário de bagagens.

[texto sobre uma pessoa, que se encontra num mato sem cachorro, sem árvore, sem grama e sem foco, mas que, um dia (próximo) há de se encontrar]


13 de maio de 2011

mulheres...

"Mulheres bacanas, complicadas, batalhadoras, persistentes, ciumentas, apressadas, é isso que somos hoje. Merecemos adjetivos velozes, produtivos, enigmáticos. As “inhas” não moram mais aqui... Foram para o espaço, sozinhas.” (Martha Medeiros)

4 de maio de 2011

é bom...

É bom saber
Que és parte de mim
Assim como és
Parte das manhãs
Melhor, melhor
É poder gozar
Da paz, da paz
Que trazes aqui