...a estradaa estrada é velha, poeirenta, gastaa estrada que aqui fica e se afastaa estrada que tem morte e tem tristezaem cada metro atraiçoa a naturezaa estrada que o é e nada maispor ser tudo e mesmo aisa coluna partiu às sete horas- era para partir às seismas há sempre estas demorasem cada carro os olhos esbraseiamem cada curva os medos incendeiamos homens olham, os homens sonham, os homens morremhá os que choram, os que gritam, os que corremfoi tudo tão súbito como o inesperadoum tiro que partiu, o zé ensanguentadoporra! jesus! Uma blasfémia e uma oraçãofilhos da puta! se os apanho! não! não!! não!!!socorrei-me senhor! ave maria!que mal fiz eu?! - entretanto o zé morriaa pensar na mãe, na maria e naquela noite de amor-ao seu lado, um incógnito manuel, que fora professoré um anjo louco a distribuir morteque se lixe! aqui, o que é preciso é sortee cospe para o lado e pensa na pazhá pouco caiu também o vaztem a cara desfeita e um braço foraque interessa, chegara a sua horao lopes chora de medo encostado a uma palmeirabateram duas balas mesmo ali, à sua beirae nem sequer se mexeu ( nunca se mexe e ainda não morreu ) cuidado! aí vem a morteirada( três segundos de incerteza... e não foi nada ) olhe furriel! está um naquela palmeiravá abaixo! tratem-lhe da pasmaceirae três espingardas mal-intencionadasvão deixar a pele negra, avermelhadaeste foi um recontro à hora do sol-pôr- à hora a que dantes fazíamos amora quatro mil quilómetros de distânciaa mais de uma centena de horas d’ânsia -no dia sem amanhã, sem até logo, eternidadedo dia sempre igual e sem idadeà hora do sol sentir a dor que é minhaa estrada lá está e lá caminhaque a morte tem mil cheirossob a fronde verdosa dos mangueiros...
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