5 de dezembro de 2011

trabalho é trabalho...


... diversão e stress.

Me peguei a pensar hoje, o que eu estaria fazendo da minha vida se não trabalhando até o esgotamento físico e mental?
Talvez estivesse vendo mais TV. Lendo aqueles livros que escanteei na minha estante ou, quem sabe, navegando um pouco mais em sites de entretenimento.
Quem sabe eu estaria fazendo alguns amigos, ou chorando a espera do namorado que só posso ver a cada três meses.
Quem sabe eu já estaria até solteira se não houvesse esses dias de trabalho incansável para me esgotar. É fato que ele acaba, inclusive, com minhas energias de sentir falta.
Tantas pessoas reclamam do trabalho que tem, dos que não têm. Enfim, reclamam quando fazem ou quando não fazem algo. Reclamam de suas vidas vazias ou cheias de responsabilidade.

Pela primeira vez na vida me vejo num lugar de visão privilegiada. Me vejo gostando do que tem ocupado meus dias e me feito tomar mais paracetamol que o normal.
Pela primeira vez estou achando bom não conseguir tirar os óculos do rosto, a caneta da orelha e os blocos de papel das mãos. Estou ocupada. E estar ocupada me faz criar além do que imaginava poder.

Senti falta destes dias desde quando não havia tempo suficiente para fazer tantos trabalhos acadêmicos. Que bom que hoje eles são diferentes, porque aquela rotina não era nada interessante mesmo.

Hoje, essa semana, este mês, posso enxergar meu trabalho fazendo a diferença. Isso me tornou mais simpática e mais comprometida com a responsabilidade que minha profissão impõe a minha rotina. As pessoas confiam no nosso trabalho. E quando mais confiança te depositam, mais responsável e cheio de tarefas você fica.

Enfim, o que quis dizer com todos esses parágrafos tortos é que trabalhar e bom. Engrandece a alma, torna o dia mais curto e te faz vivo. Afinal, sentir-se produtivo está alem de fazer o que lhe mandam. Está em surpreender, em resolver problemas e, ainda, deixar de lado a obviedade.

Trabalhem meus queridos, trabalhem.
Não precisa ser no emprego dos sonhos nem no projeto mais popular.
Trabalhem para se sentir útil ao mundo e as pessoas que confiam em você.
Porque o trabalho não enriquece a vida, mas enche de riquezas nosso conhecimento.

28 de novembro de 2011

Que livro eu seria?


Encontrei, de bobeira na internet, um teste muito bacana chamado: "Que livro você é?"
A resposta foi muito reveladora, e confesso, bastante verídica. Ainda não li o livro que sou, mas agora me obrigo!

Essa foi minha resposta:
"Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis

Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.

"Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.

Quer tentar a sua?
Acesse: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml

10 de novembro de 2011

Seu apartamento é feliz? - Martha Medeiros

“Há uma regra de decoração que merece ser obedecida: para onde quer que se olhe, deve haver algo que nos faça feliz!”

Dia desses fui acompanhar uma amiga que estava procurando um apartamento para comprar. Ela selecionou cinco imóveis para visitar, todos ainda ocupados por seus donos, e pediu que eu fosse com ela dar uma olhada. Minha amiga, claro, estava interessada em avaliar o tamanho das peças, o estado de conservação do prédio, a orientação solar, a vizinhança. Já eu, que estava ali de graça, fiquei observando o jeito que as pessoas moram.

Li em algum lugar que há uma regra de decoração que merece ser obedecida: para onde quer que se olhe, deve haver algo que nos faça feliz. O referido é verdade e dou fé. Não existe um único objeto na minha casa que não me faça feliz, pelas mais variadas razões: ou porque esse objeto me lembra de uma viagem, ou porque foi um presente de uma pessoa bacana, ou porque está comigo desde muitos endereços atrás, ou porque me faz reviver o momento em que o comprei, ou simplesmente porque é algo divertido e descompromissado, sem qualquer função prática a não ser agradar aos olhos.

Essa regra não tem nada a ver com elitismo. Pessoas riquíssimas podem viver em palácios totalmente impessoais, aristocráticos e maçantes com suas torneiras de ouro, quadros soturnos que valem fortunas e enfeites arrematados em leilões. São locais classudos, sem dúvida, e que devem fazer seus monarcas felizes, mas eu não conseguiria morar num lugar em que eu não me sentisse à vontade para colocar os pés em cima da mesinha de centro.


A beleza de uma sala, de um quarto ou de uma cozinha não está no valor gasto para decorá-los, e sim na intenção do proprietário em dar a esses ambientes uma cara que traduza o espírito de quem ali vive. E é isso que me espantou nas várias visitas que fizemos: a total falta de espírito festivo daqueles moradores. Gente que se conforma em ter um sofá, duas poltronas, uma tevê e um arranjo medonho em cima da mesa, e não se fala mais nisso. Onde é que estão os objetos que os fazem felizes? Sei que a felicidade não exige isso, mas pra que ser tão franciscano? Um estímulo visual torna o ambiente mais vivo e aconchegante, e isso pode existir em cabanas no meio do mato e em casinhas de pescadores que, aliás, transpiram mais felicidade do que muito apê cinco estrelas. Mas grande parte das pessoas não está interessada em se informar e em investir na beleza das coisas simples. E quando tentam, erram feio, reproduzindo em suas casas aquele estilo showroom de megaloja que só vende móveis laqueados e forrados com produtos sintéticos, tudo metido a chique, o suprassumo da falta de gosto. Onde o toque da natureza? Madeira, plantas, flores, tecidos crus e, principalmente, onde o bom humor? Como ser feliz numa casa que se leva a sério?

Não me recrimine, estou apenas passando adiante o que li: pra onde quer que se olhe, é preciso alguma coisa que nos deixe feliz. Se você está na sua casa agora, consegue ter seu prazer despertado pelo que lhe cerca? Ou sua casa é um cativeiro com o conforto necessário e fim?

Minha amiga ainda não encontrou seu novo lar, mas segue procurando, só que agora está visitando, de preferência, imóveis já desabitados, vazios, onde ela possa avaliar não só o tamanho das peças, a orientação solar, o estado geral de conservação, mas também o potencial de alegria que os ex-moradores não souberam explorar.”

Coluna da Martha Medeiros - jornal Zero Hora - domingo, 24/01/2010

24 de outubro de 2011

Esperança...

Você acorda pela manhã com a vontade de que algo mágico aconteça.
Passa o dia na esperança de que a qualquer momento possa ser surpreendida.
As horas vão passando e isso não acontece.
Então você pensa: "É pra ser na hora menos apropriada".
E não é. Nem na menos, nem na mais.

Vivemos em momentos onde só se quer ser surpreendido. Mas não o é.
Vivemos, dia após dia, querendo que pessoas nos peguem desprevenidas e, por isso, nos façam mais feliz por um instante. Que seja só um.

Aprendi nos últimos dias que esperar é a pior atitude a se tomar. Simplesmente e unicamente por ela não ser atitude alguma. Esperar é ver passar. Esperança é acreditar que alguém possa fazer o bem a ti mais do que você próprio já fez.
Engane-se e espere. Ou tome uma atitude, faça diferente, e mesmo que te doa, vá em frente.
O coração pode se espremer. O estômago pode doer. Mas não fique ali, sentado, esperando a surpresa alheia. Ela certamente não virá. E quando ela não chega, é a decepção que toma conta do campinho.

E essa não dá espaço para que outros joguem junto. Ela quer te massacrar. Quer te fazer chorar. Te mostrar que o pessimismo tinha razão.

Vivi tempo demais querendo ser surpreendida. Querendo ser o foco de uma câmera que nem lente tinha. Querendo ser o primeiro plano de uma paisagem interminável. Mas não fui. Fui, só, vencida. E hoje, aos cacos, decidi que em vez de ficar sentada na esperança de que algo mude ou de que alguém me surpreenda preciso andar. Pra frente, com minhas pernas e com a minha realidade. Não com sonhos doces que um dia ousei sonhar.

É uma pena, sim. Ver tanto amor se ir em atitudes que tu não gostaria de ter presenciado.
Ver tanta dedicação e esforço se acabarem numa noite mal dormida, onde seus temores fazem companhia e não te deixam relaxar.

Eu teria muito mais a dizer, mas não quero. Afinal, pra que dizer algo se no final só será julgada a razão de estar ou não certa. Ninguém sabe o que se passa aqui dentro, por isso ninguém, jamais, deve ousar a ter esperança de me entender, profundamente, se nem meus sinais mais chamativos conseguiu observar.

E é assim que o carnaval acaba. Na esperança de que a próxima edição seja melhor...

6 de outubro de 2011

melhor frase do mês.

"Ignore todas as regras. Não tente agradar a ninguém além de si mesmo quando se trata de sua casa. Que seja uma expressão direta de você e só você. Em caso de dúvida, adicionar livros e flores."

2 de outubro de 2011

Do porque de escolher o jornalismo.

Meu nome já surgiu por inspiração poética. Érico Veríssimo foi quem deu vida a personagem com meu nome e a partir dela e de sua envolvente história minha mãe se inspirou. Inspiração sempre esteve presente em mim. Desde os primeiros anos de vida tinha em mim a certeza de que algo artístico faria parte de minha construção humana. Lembro de querer ser cantora. Talento me faltou para tanto. Não nasci com perfil de modelo, um desgosto para meus aspirantes 15 anos que sonhavam muito além. Encontrei na dança uma forma de extravasar a energia que sempre tinha a dar, vender, ou alugar, se necessário fosse. Mas a carreira não vingou.

Depois de diversas tentativas frustradas de querer ser alguém visível, que servisse de inspiração e de exemplo conheci o papel e a caneta. Foi com essas duas armas que consegui me encontrar. Afinal, a cada nova linha rabiscada me inventada e reinventada. Ali, no papel, eu podia ser quem eu queria e atingir quem quer que, pelo menos, tivesse interesse em ler profanas utopias.

Lembro de diversos momentos em que, sem saber como agir, escrevia. Não tinha medo do que fosse ser lido. Tinha medo de falar. Minha mão sempre teve menos pudor que minha boca. Foi com minhas mãos que conquistei muitas coisas na vida. Conquistei meu segundo grau, com louvor em português e literatura. Era fato, eu gostava da coisa. Foi com meus escritos que conquistei meu primeiro namorado, tenho certeza. Foi com elas, também, que passei no vestibular. Afinal, muito mais do que marcar questões, elas me ajudaram a pontuar cada pensamento.

Quando entrei para a faculdade de jornalismo aprendi que minhas mãos precisavam de aliados com credibilidade. Foi assim que me apaixonei pela leitura incessante de livros da área. Lia todos. Lia muito. Os que não lia folhava, com elas, as mãos. Sentir os livros já me fazia entender as coisas de uma maneira mais clara.

Abri minha cabeça durante esses quatro anos de estudo. Abri também meus braços e tentei trazer para mais perto de mim tudo que julgava importante. Agarrei com mãos, unhas e dentes, a maior parte dos projetos que chamei para mim. Eu amava o que fazia.

Assim como as mãos, que são duas, acho que o que sempre me chamou mais atenção no jornalismo foi a dualidade das coisas. Tudo tem sempre dois lados. Sempre tem de se ouvir as duas partes. Há sempre uma verdade, mesmo que não seja absoluta. E você pode estar do lado dela ou não. Isso sempre vai depender da tua capacidade.

A dualidade entre ter ou não rotina na profissão era o que me intrigava, de verdade. Ser jornalista é não ter horário. É não poder escolher onde e o que vai acontecer, apenas acompanhar. Acompanhar e apurar.

Outro par que me levou a escolher o jornalismo foi o de ouvidos. Ah como eu gosto de uma história. Muita paciência para ouvi-las, nenhuma para contá-las. A não ser que seja no papel, é claro. O papel não me corta no meio do raciocínio. Ali eu posso contar, tudo, na forma, na seqüência e com as palavras que gosto de usar.

Nunca quis ser jornalista para poder mudar o mundo. Também nunca fui inocente de acreditar que isso seria possível. Queria ser jornalista para mudar a mim mesma. Mudar o ritmo da vida, dos dias, das horas. Mudar os personagens do meu livro de memórias. Não mudo, apenas a realidade, porque no jornalismo aprendi que isso não é ético. Falando em ética, é por ela, também, que escolhi o jornalismo. Ser jornalista é uma das profissões que mais te cobra isso e que mais transparentemente pode-se mostrar e separar quem é de quem não é. Jornalista tem telespectador não fã.

Foi no jornalismo que aprendi a ser criativa e a não ter medo de ousar nem de desafiar o desconhecido. Foi no jornalismo que aprendi a ser curiosa e ter humildade. É durante as praticas diárias do exercício que escolhi para chamar de meu que eu vejo que, em nenhum momento, eu fiz a escolha errada.

Jornalismo não é inspiração e só. Jornalismo é liberdade de se deixar levar pela magia do momento. Inspiração dá e passa. Jornalismo fica. E só o que for de verdade permanece. Só o que é palpável nos preenche.

E apesar de ser palpável jornalismo não é algo que pode ser pego com as mãos, apesar de que é com elas, que se faz tudo o que ele te permite.

Se tiver algo de que nunca abrirei mão, ou as mãos, é do jornalismo, da verdade e da vontade de ser, dia após dia, um ser humano que cresce com o que vê, aprende com o que ouve e sente o que toca.

6 de setembro de 2011

Eu queria menos.

As vezes, mas só as vezes, eu queria sentir menos.
Sentir menos saudade. Menos medo. Menos ciúmes.
Queria sentir menos desejo, menos vontade, menos paixão.
As vezes o demais atrapalha.
As vezes eu queria sentir menos desvontades, menos desapontamento e menos desestímulo.
Sentir menos raiva de quem é ignorante, oportunista e arrogante.
Queria sentir menos enjoo ao ver uma palavra escrita errada. Ao ver uma frase sem pontuação adequada.
Queria sentir menos vontade de matar umas pessoas.
Menos desejo de ser rica, de aproveitar a vida e de sumir no mundo.

Pois ando tão mais decepcionada, saudosa e infeliz.
Tenho me sentido tão mais triste, tão mais sozinha, tão mais sem chão.
Queria ter menos tempo para esperar.

Mas me vejo tendo que me esforçar cada dia mais para lidar com ele. O tempo.

Queria somente, e apenas. Me sentir bem. Menos cabisbaixa, menos pessimista, menos óbvia.
Queria ter menos pudor nas palavras, menos receio de falar o que penso, menos medo de magoar pessoas.

Queria querer menos. Queria somente poder mais.
Poder, mais do que nunca, me sentir realizada, pessoal, profissional e sentimentalmente.
Mas há fases, e fases, como há dias e dias.
Um dia é menos frio. Outro, mais quente.
Um dia é menos ruim. Outro, mais agradável.

Nesses jogos de mais e menos perdi-me na conta. Não sei mais somar nem subtrair. Desconfio até que não sei mais nem o que fazer. Mas sei, ainda, que devo continuar para que no final, o saldo seja pelo menos positivo.