coloquei no player um som inspirador para tocar.
a televisão não é boa companhia para quem precisa escrever.
outra má companhia para quem quer pautar algumas coisas é a confusão de ideias.
confusão.
coisa triste quando não se encontra a luz do fim do túnel que tanto se procura.
por vezes pode até ser divertido rodar de um lado a outro.
entrar na brincadeira de se perder. de não ligar o cronometro e ver quem faz o trajeto em menos tempo.
sim. é bom. por vezes apenas.
noutras é importante achar a seta riscada no chão que te indica o caminho perfeito.
mas quem somos nós em exigi-la estar sempre ali?
precisamos traçá-las, vez em quando.
só que agora não consigo.
não tenho nos bolsos um mapa, nem em minhas mãos um pedaço de giz.
estou no escuro, sem lanterna e com a sensação de que girei incansavelmente sobre um mesmo ponto até sentir a tontura me consumir.
não acredito no que não vejo.
meu senso de direção nunca foi bom.
então sento e espero a vertigem passar.
não tenho mais me preocupado com o tempo,
ele deixou a tempo de ser fator determinante.
acho justo, e bem pago, se ao menos desse lugar conseguir fugir.
a sensação de estar perdida não conforta.
pelo contrário.
dá náuseas.
caio no sono.
não porque desisti.
na verdade ele é meu melhor combustível.
adiar a chegada as vezes dá certo.
faz com que eu consiga analisar melhor os obstáculos que o escuro me escondeu.
e mesmo não vendo nada. sinto-os.
percebo que estou ficando louca.
ficar muito tempo sem rumo certo não parece a melhor opção.
agora é como se eu fosse um ponto branco no meio de um açucareiro.
me faço parte do escuro.
não me vejo mais.
não me sinto.
adormeço, de novo.
e me debato.
e suo.
e sinto calor.
e sinto frio.
estou imóvel.
é quando levo um susto, e acordo.
e vejo que aquilo foi um sonho.
um pesadelo, quem sabe.
o importante é pensar que aquilo pode não ter acontecido.
ou sim.
seria bom se acordar fosse o remédio para todas as dores.
mas não é.
dormir apenas adia em algumas horas tua angústia de estar num lugar em que era preferível não estar.
fora da zona de conforto que tua cama, inocentemente, se transforma.
e se vida fosse um cama, seria melhor?
estar preso a algo confortável te faz forte?
te faz. no minimo. covarde.
e por mais que doa.
que possa latejar.
eu prefiro levantar.
e colocar a armadura contra o dia que vai me fazer sofrer,
mais uma vez.
porque sofrer é a melhor fatia do bolo chamado vitória.