21 de setembro de 2008

Comunicação e Violência


Para que possamos traçar um perfil de como se da à união da comunicação e da violência nos meios de informação, precisamos primeiramente, entender o que cada um desses termos significa, e assim compreenderemos o que a implicação dos dois num mesmo meio pode acarretar na sociedade em que eles são inseridos.

Segundo o dicionário Luft, “Violência é um constrangimento físico ou moral”, sendo assim, qualquer forma ou ato violento é aquele de gera algum tipo de ato violento contra o corpo ou a mente. Seguindo, entendemos por comunicação toda e qualquer forma de troca de informações. A comunicação de massa só existe quando a mesma é repassada para uma grade quantidade de pessoas, sendo assim mediada por algum veículo de informação.

Mas, como a comunicação e a violência se unem nesse contexto? Podemos dizer que o compromisso da comunicação é com a verdade dos fatos. Os meios de comunicação precisam repassar para a grande massa tudo o que de relevante acontece no mundo. Fatos importantes, acontecimentos curiosos, enfim, conteúdos que despertem o interesse e que de alguma forma atinjam o consumidor desses produtos midiáticos.

A televisão, como meio de comunicação de maior abrangência e mediação, retrata em seus jornais diários cenas das guerras particulares e de caráter social. Mediando e repassando a grande massa os acontecimentos sobre violência da real forma como eles acontecem, assim como o Código de Ética dos Jornalistas implica, dizendo: “o acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse”. Porém essa retratação da violência muitas vezes acontece de forma exarcebada.

Devido à televisão possuir o instrumento da imagem em tempo real, ela acaba tendo condições mais propícias para retratar a violência e o que acontece na sociedade na questão da violência. Devido a isso, implica-se então o que há tempos já se sabe, a imagem se torna mais atraente que o próprio conteúdo e a palavra acaba perdendo a força frente à soberania das imagens.

Nesse contexto podemos visualizar a comunicação e a violência mediadas de forma exarcebada de algumas formas distintas. O efeito de imitação, em que a violência gera mais violência. A cultura do medo, em que a violência gera pânico social e a banalização da violência que gera apatia do público.

Mas, fugindo um pouco a linha da televisão, e seguindo com o poder que as imagens causam na sociedade e a forma com que elas conseguem retratar realidades distintas, encontramos inúmeros documentários retratando a violência em lugares como comunidades, periferias, favelas, cidades e países pertencentes ao primeiro, segundo e terceiro mundo.

Os documentários sobre violência têm a finalidade de retratar uma realidade que a televisão não mostra, ou mostra, mas de uma forma mais real. Eles, em sua maioria, retratam não somente a violência em si, mas a forma de como ela acontece, quais são os fatores que implicam o seu acontecimento, e principalmente a forma com que a mesma interfere na vida das pessoas “do bem” que vivem nesses lugares. Esses documentários possuem razões sociais muitos maiores daquelas que ficam explicitas.

O documentário Morro de Santa Marta, retrata como era a violência na década de 80. Segue a linha dos documentários que mostram não só uma face da violência, mas sim a comunidade como um todo, e demonstra de que forma o jovem entra para o crime em vez de estudar e traçar um futuro. Já o documentário “Notícias de uma guerra particular”, mostra como é a violência no Rio de Janeiro no final da década de 90, quase no novo século.

O que esses dois documentários têm em comum é a forma como a violência entra na vida das pessoas que vivem nesses lugares, a forma como ela sobrevive nessas comunidades e principalmente o poder que os criminosos possuem, não somente por serem criminosos, mas por financiar a essa comunidade o que o governo muitas vezes nega como remédios, educação, saneamento básico e segurança. Mas, o problema vai muito além disso.

O tráfico de drogas é quem financia aquilo que a comunidade tem carência. E é também a forma mais atrativa para um jovem conseguir dinheiro fácil, para conseguir ter um nível de vida melhor e assim sentir-se mais aceito na sociedade em geral. Porém, é preciso abrir os olhos, e mais uma vez à mídia tem uma enorme influência nisso tudo. Pois, é a própria mídia que impõe nessa sociedade os valores que são necessários se ter para ser aceito. Os valores que me refiro são os de consumo. O consumismo é que movimenta a sociedade, e se você não se enquadra nessa sociedade capitalista, que visa cada vez mais esse consumo, você simplesmente não pertence a ela.

É isso que esses jovens de pouca instrução psicológica e vulneráveis vêem na mídia, a forma como eles gostariam de ser e não podem, porque não conseguem se inserir num mercado de trabalho que consiga pagar pelo trabalho deles o que o tráfico paga para seus colaboradores. Mas a culpa de tudo isso é de quem? Dos governos. Que não subsidiam a essas comunidades, a esses jovens e as essas pessoas da favela o mínimo necessário para se ter uma vida mais digna.

A negligencia é tanta do poder público, que o único dos quatro poderes que sobrem ao morro ainda é a policia. A polícia que muitas vezes não respeita os cidadãos comuns, e acaba exercendo um poder excedente a aquele que lhe pertence. Os cidadãos que moram nessas comunidades, ficam a mercê do trafico, e se identifica muito mais com os traficantes do que com os policiais, a polícia é repressora demais com os mesmos. Os traficantes são os que ocupam o lugar deixado pelo poder público no morro.

Tanto a realidade que é relatada nos documentários específicos como a realidade da televisão, mostram que a violência está tão banalizada na sociedade, que isso acaba se refletindo nos meios de comunicação, os quais muitas vezes são o espelho do que acontece. O problema que essa banalização causa, é o uso excessivo e exacerbado da violência como forma de atrair a atenção e o ibope dos telespectadores.

A causa da violência no mundo é muito maior do que nossa mente imagina. A violência se tornou um circulo vicioso, e terminar com ela se tornou impossível. O que nós, futuros jornalistas podemos fazer é abolir esse espetáculo que se tornou a mediação desse problema, e além de mostrar só o que acontece, também inserir na sociedade alternativas de como interferir no percurso dessa violência que tanto cresce, tentando fazer com que sua ocorrência diminua.

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