21 de setembro de 2008

Que valorização é essa?


Antes de qualquer discussão tomar um valor maior de importância nesse texto, quero fazer a seguinte indagação: Se as empresas jornalísticas não se preocupam em contratar profissionais formados para ocupar as funções, seria a culpado o curso de graduação a não formação adequada a esses profissionais?

Pois bem, sabemos que o cenário nacional de pequenas redes de jornalismo, como jornais municipais, por exemplo, não possuem a preocupação de admitirem nos cargos competentes profissionais com graduação. Isso acontece porque, como na maioria dos casos, esses veículos não possuem uma renda muito elevada, fazendo com que a mão de obra barata seja preferida. Outro fator, é que nem todas as cidades possuem jornalistas formados e a procura de emprego, a tendência é que depois de graduados os mesmo sigam para lugares maiores em busca de oportunidades.

Se por um lado, é inevitável ter de admitir profissionais sem formação superior, por outro é inadmissível. Não se pode comprometer a credibilidade de um meio de informação, seja ele do tamanho que for, e colocando nas funções principais, pessoas que não possuem um conhecimento necessário. Pois, além do conteúdo histórico, da comunicação social e da relevância que ela possui nesse ambiente, os cursos ensinam o mais importante, que é a teoria alinhada a prática.

Agora, saber se toda essa teoria e essa prática vêm saciando as necessidades das empresas jornalísticas, é outro fator que requer análise profunda. Pois, na faculdade se aprende conceitos básicos, técnicas de prática, de melhor desenvolvimento textual, melhoramento em redação e expressão oral, enfim, inúmeros conhecimentos. Tudo isso acaba sendo uma aquisição mínima de conhecimento, pois, quando os mesmo ingressarem no mercado de trabalho e entram para empresas, eles precisarão se moldar às políticas da mesma. E somente um profissional, que teve durante o seu curso, aulas dos mais diversos meios e conteúdos diferentes conseguirá alinhar tudo a prática.

Admito sim, como acadêmica, que às vezes o curso deixa a desejar. Talvez, a parte da comunicação social que é apresentada no decorrer do curso tome um tempo muito grande, não que ela não seja importante, mas alguns conteúdos que julgo necessários são abordados de formas superficiais. O curso de jornalismo, está nos formando muito mais comunicadores do que jornalistas. Sorte, é que podemos contar com atividades paralelas as obrigatórias, que dão uma dimensão mais exata do cenário que nos espera no final da graduação, um exemplo disso são as agencias de noticias, os programas radiofônicos e as colunas em jornais.

O fato é que, sem perspectivas de trabalho bem remunerado e em suas próprias cidades locais, pois não há valorização dessa profissão, a carreira de jornalista fica meio ameaçada de se cumprir. E além de tudo isso, ainda se tem a certeza de um mercado de trabalho saturado nos grandes centros.

Que tipo de jornalista seremos? Acredito que aquele que a sociedade necessitar. E não aqueles que talvez desejemos ser quando ingressamos na faculdade. Mas defendo sim a obrigatoriedade do diploma para exercer essa profissão, que como qualquer outra, precisa de profissionais com capacitação e conhecimento do funcionamento de todos os meios comunicacionais.

Assim como um médico que precisa ser formado para realizar uma operação em um paciente. Como um engenheiro civil precisa ser formado para realizar uma obra, um jornalista precisa ser formado para poder manter uma sociedade inteira a par do que acontece em sua volta. O jornalista é um formador de opinião. Ele tem voz frente à sociedade, e a sociedade precisa que esse ator social seja integro e que saiba principalmente desse papel que exerce. Valorizar a profissão de jornalista. É valorizar a sociedade que dele depende para compreender o mundo.

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