24 de dezembro de 2008

Dos critérios de Noticiabilidade

Jornalistas têm a incrível mania de pensar que tudo o que eles julgam importante para eles, seja, de fato, importante para nós. Triste consciência. Mal sabem eles, que cada vez menos folheamos as páginas dos jornais para nos informar. Mas espera ai? Se isso está realmente acontecendo, podemos afirmar veemente uma coisa, algo está errado!

Já dizia Ricardo Noblat, em seu livro: A Arte de Fazer um Jornal Diário. “A notícia está no curioso, não no comum; no que estimula conflitos, não no que inspira normalidade; no que é capaz de abalar as pessoas, estruturas, situações, não no que apascenta ou conforma; no drama e na tragédia e não na comédia e no divertimento”.

Ele está coberto de razão. É isso o que nós jornalistas colocamos todos os dias nos cardápios de notícias. Isso e somente isso. E talvez, seja por isso que, cada vez menos, atraímos a atenção de vocês, leitores. Mas o que fazer e o que mudar?

Para descobrir isso, me propus ser igual. Agora sou um leitor. Pronto, decidido. Deixei de lado a carreira de jornalista para me colocar a pensar como um ser aparentemente normal. Agora, como consumidor de um produto da mídia, me pergunto: “O que de fato é importante pra mim? O que eu gostaria de ler todos os dias nos jornais que abro?”.

Será que eu saber como anda a crise das bolsas de valores. E somente isso, é importante? Ou, seria mais proveitavel, saber de que forma esse acontecimento me atinge? Pois bem, a proximidade das informações que eu recebo e a maneira como ela modifica a minha rotina e a minha vida, conta muitos pontos na hora de eu decidir se devo ou não gastar meu tempo, e meus olhos, numa leitura silenciosa.

Os critérios de noticiabilidade são importantes, porque aí já se excluem, informações que não possuem relevância para mim e para a sociedade em que vivo. Além da proximidade, da relevância e do local, acredito que cada vez mais, assuntos sobre comportamento humano, sexo, relacionamento, beleza e moda, estejam tomando parte da rotina das pessoas. Isso as atinge diretamente. E é isso que elas procuram, relação entre o que se diz e o que se quer saber.

Crises, roubos, violência, drogas, fraudes, guerras, CPI’s, as noticias “ruins” também fazem parte de nosso dia-a-dia. Sendo assim, não podemos negar a importância em saber o que de negativo nos rodeia. E é imprescindível termos todos os dias informações sobre tudo isso, mas claro, de uma forma que nos atinja. Que nos faça pensar e refletir para, no mínimo, tentar mudar.

Até onde se sabe, o jornalismo detêm uma função social, que busca provocar mudanças na realidade da sociedade, e isso só é possível quando a proximidade dos fatos faz com que o leitor sinta a necessidade de intervir.
Esses critérios podem variar de região para região. De veiculo para veículo. Não se deve ter um único molde como modelo. Diferentemente das mídias instantâneas, como a internet e o rádio, que atualizam de minuto a minuto suas noticias, informando o que aconteceu, o jornal impresso, não pode trazer as mesmas coisas que esses meios trazem. Ele precisa aprofundar-se na matéria. Explicar ao leitor o contexto dos fatos e interpreta-los muitas vezes.

E é isso que faz o leitor não somente saber do fato, mas principalmente entende-lo. Uma pessoa que tem acesso a muitas notícias, pode não ser tão bem informada quanto as que tem o embasamento da informação.

Mas olha só, até que não me sai mal na observação. Pensando bem, é mais fácil enxergar tudo isso aqui do outro lado. Na carreira que eu escolhi é muito difícil ter uma rotina de produção que seja sempre lucrativa de boas matérias. A maioria dos profissionais desempenham várias funções dentro da mesma empresa. Sobra pouco tempo para se por em prática a criatividade, à pesquisa e a apuração de qualidade. Mas isso não é desculpa para nos tornarmos jornalistas medíocres. A Paixão pelo que se faz é fundamental numa profissão e é ela quem assegura qualidade nos trabalhos.

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